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Crítica | L’Amazone (A Amazona)-1878

L’Amazone (A Amazona) é uma dessas animações do praxinoscópio que parecem “bonitas” por um motivo muito objetivo: Reynaud escolhe um tema em que o movimento já nasce elegante. A cavaleira montada de lado — a postura clássica “em amazona” — impõe uma silhueta clara, um eixo vertical bem definido e um jogo de balanço do corpo que a repetição em loop não estraga; ao contrário, transforma em cadência. É um pequeno espetáculo de linha e ritmo: a figura, o cavalo e o galope desenham no ar uma coreografia circular que combina perfeitamente com a mecânica do aparelho.

Aqui vale lembrar o que essa obra é (e o que ela não é). L’Amazone não foi criada como “filme em película”, mas como banda litografada colorida para praxinoscópio, composta por doze imagens representando fases sucessivas do movimento. Reynaud está desenhando um gesto que funciona com máxima legibilidade em poucos quadros, com retorno suave ao primeiro desenho.

E há uma segunda razão para o charme: L’Amazone é um tema em que o “corpo em equilíbrio” comunica sozinho. Mesmo sem narrativa, sem cenário complexo e sem qualquer áudio, o cérebro entende imediatamente o que está acontecendo — e completa o resto. O praxinoscópio, ao estabilizar o movimento por meio de espelhos internos (em contraste com o zootrópio de fendas), favorece esse tipo de animação “limpa”, em que a beleza está na continuidade. Em outras palavras: não é só que a ideia é boa; o meio é particularmente adequado à ideia.

Em termos de catalogação moderna, L’Amazone costuma aparecer como parte das séries de tiras que Reynaud apresentou e comercializou em torno de 1878, descrita como “Série 3, nº 7”, a peça pertence ao núcleo clássico das tiras de Reynaud.

Vista hoje, a animação continua funcionando não apenas como “curiosidade antiga”, mas como uma aula silenciosa de economia: poucos quadros, desenho claro, uma ação que se sustenta na repetição sem denunciar o truque. Se algumas tiras do praxinoscópio dependem muito do contexto histórico para encantar, L’Amazone é daquelas que se defendem no presente — porque o galope, quando bem desenhado, é um dos movimentos mais naturalmente “cinemáticos” que existem.

Avaliação geral

Importância histórica (Reynaud / praxinoscópio)
Inovação técnica (tiras litografadas e estabilidade do movimento)
Beleza e impacto visual (silhueta, composição, cor)
Legibilidade/fluidez da animação (galope convincente em poucos quadros)
Experiência hoje (acesso, preservação, qualidade das cópias)

Nota geral

L’Amazone (1878), de Émile Reynaud, é uma tira colorida para praxinoscópio composta por doze fases de uma cavaleira montada “em amazona” sobre um cavalo a galope. A beleza está na escolha do gesto: silhueta legível, balanço elegante e repetição que vira cadência. Não é cinema em película, mas animação de brinquedo óptico — e justamente por isso revela sua força com poucos meios: desenho claro, movimento contínuo e retorno suave ao início do loop.

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Victor Damião

SEO do Site "Compêndio Nerd", Fundador da "DC Wiki BR" e colecionador de Quadrinhos da DC Comics.

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